O aumento da conscientização que o processo de metilação adequado é fundamental para a saúde mental e o lançamento de um novo ensaio laboratorial (Lemos Laboratórios – Juiz de Fora – MG) que permite uma análise mais adequada do estado de metilação do paciente, tornam muito importante um conhecimento mais aprofundado desse processo bioquímico biológico fundamental para a vida.

 

ATENÇÃO: KIT E FRETE NÃO INCLUSOS.

Outras informações

Esse processo de importância extraordinária para o funcionamento celular pode ser definido com a adição de um grupo metil (CH3) a um átomo ou molécula. Esses grupos CH3 participam de centenas de reações químicas no corpo e no cérebro essenciais para a saúde física e mental e, o estado de metilação é um fator importante na determinação das tendências e personalidade de uma pessoa e desequilíbrios no processo de metilação são o substrato bioquímico de transtornos sérios que afligem milhões de pessoas incluindo câncer, doença cardíaca, doença mental e autismo.

Os estudos de Walsh sugerem que 70% da população apresenta um estado normal de metilação, 22% são submetilados e 8% são supermetilados. Parece haver, nos últimos anos uma tendência para aumento no percentual de submetilados e diminuição no percentual de supermetilados. Tanto a submetilação quanto a supermetilação mostram características clínicas bem definidas.

 

 

O estado de metilação de uma pessoa é estabelecido nos primeiros meses de vida intra-uterina e tende a se manter para toda a vida e as reações de metilação essenciais podem ser categorizadas em:

  • Metilação dos átomos – por exemplo, metilação de mercúrio e outros metais tóxicos, favorecendo a taxa de excreção

  • Metilação das moléculas – com a participação de uma enzima metiltransferase e, por exemplo, a metilação dos aminoácidos é um mecanismo importante na produção de uma variedade de proteínas no corpo.

  • Metilação do ADN – mecanismo de regulação da expressão gênica. A metilação de certos pontos com citosina ao longo da dupla hélice do ADN é uma forma e inibição da expressão gênica, com poucas exceções

  • Metilação das histonas – ocorrendo usualmente nos locais com lisina e arginina, resultando em compactação do ADN e restrição do acesso das moléculas dos fatores de transcrição necessárias para a expressão gênica.

Exames laboratoriais do estado de metilação.

Fatores dietéticos, ambientais e genéticos são os mais importantes na determinação do estado de metilação de uma pessoa. A maior parte dos grupos metil se origina da metionina da dieta que se converte a s-adenosilmetionina (SAME) que doa esses CH3 para as centenas de reações essenciais de metilação. Esse processo de doação é regulado pelo “ciclo do carbono único” ou “ciclo da metilação”, que pode ser resumido em quatro passos:

  • A metionina dietática se combina com o trifosfato de adenosina (ATP) para formar a SAME. Essa reação depende de quantidades adequadas de magnésio (Mg).

  • A SAME doa seu grupo metil e se converte em s-adenisilhomocisteina (SAH), uma molécula que pode ser reconvertida em metionina. Se houver acúmulo de SAH, a metilação pela SAME é reduzida e ela (SAH) tem que ser removida de forma adequada para que não haja interferência no estado de metilação. A medida padrão ouro do estado de metilação é a determinação da relação SAME/SAH, exame, infelizmente, não disponível no Brasil.

  • Em condições normais a SAH é convertida em homocisteina (Hcy) e os níveis adequados de metilação são mantidos. Essa reação envolve a remoção enzimática do grupo adenosina que por sua vez é removida pela adenosina desaminase, uma enzima contendo zinco (Zn)

  • Parte da homocisteina que resultou do passo anterior é reciclada a metionina e o ciclo recomeça e parte é convertida em cistationina. A reciclagem para metionina ajuda na manutenção dos níveis de SAME e a via da cistationina é uma fonte primária de cisteina, glutationa e outros valiosos antioxidantes. Quando de Hcy se converte em metionina ou, alternativamente, em cistationina depende do nível do estresse oxidativo presente. A homicisteina pode ser empregada como um marcador do estresse oxidativo, mas não do estado de metilação. Situações com metilação em excesso consomem histamina e reduzem seu nível, o inverso ocorre nas situações com submetilação. Assim, a dosagem de histamina no sangue total, agora disponível no Lemos Laboratório em Juiz de Fora – MG é a segunda medida confiável para a determinação do estado de metilação. Observe também que um elevado estresse oxidativo pode causar submetilação e que essa, por sua vez pode causar estresse oxidativo. A presença de um desequilíbrio pode causar o outro. Assim é fundamental a dosagem dos níveis de homocisteina para caracterização do estado de estresse oxidativo e da histamina no sangue total para caracterização do estado de metilação e, Walsh também recomenda que os níveis de histamina sejam corrigidos antes de se enfrentar o desequilíbrio no estado de metilação.

 

 

O gráfico acima demonstra os passos descritos anteriormente do ciclo de metilação destacando as principais conversões, as vias de regeneração e de eliminação dos substratos envolvidos. A homocisteína, pela possibilidade de remoção pela via da transulfuração não serve como indicador do estado de metilação, mas é um marcador importante do estado de estresse oxidativo.

Bibliografia:

Walsh J W. Nutrient Power, Skyhorse Publishing, 2014

Walsh J W, Rehman F. Methylation syndromes in mental illness. Abstracts: Society for Neuroscience 27 th Annual Meeting, 1997.

Walsh J W. Oxidative stress, undermethylation and epigenetics – The Bermuda tringle of austism. The Autism File 35:30-35, 2010.

 

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